
“Tudo que pode dar errado dá errado"
Conhecida anteriormente como Lei de Sod, a Lei de Murphy é tão real quanto a lei da gravidade, ou tão certa quanto as leis do direito, o vento, o amor, o berílio ou o manganês. Esta presente no “existir”. Creio que os primeiros hominídeos não sabiam que nome dar a força que fazia com que tudo o que poderia dar errado, desse errado. Deram o abstrato nome de azar. Recentemente, passamos a nomear esta força pelo nome de Murphy, em homenagem a um capitão da Força Aérea americana que disse “Tudo que pode dar errado dá errado”.
Eu vivi um dia totalmente imerso na lei de Murphy. Aconteceu nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2009. A gravidade, a única força que parecia aliada a mim, não foi o bastante para me deixar livre. Poderia ter ficado o dia todo deitado, prostrado, pois no meu quarto ela não me alcançaria, mas não teve jeito. Adiei o encontro em algumas horas, mas, devido a minha necessidade de trabalhar, ela me alcançou.
Aliás, ela não me deixou alcançar foi o ônibus. Tenho meus horários pela manhã, seja quando eu vou ou não vou à aula. É meio cronometrado, sendo cada minuto importante para não perder o ônibus. Tudo se resume a conseguir pegar o 600.2. O meu almoço, a velocidade de vestir, até a programação da TV me alerta, “quando acabar este desenho, tenho 7min e 36seg para chegar ao ponto”. A lei de Murphy age da seguinte forma, faz você chegar no limite, e quando lá você está, tudo dá errado. Ao passar uma última vez pelo espelho, meu olho esquerdo está muito vermelho. Minha vó é direta, “você está com conjuntivite”. Esta situação me fez perder 1min e 49seg, tempo o suficiente para ver o meu ônibus passando, impossibilitado de alcançá-lo por alguns segundos.
Atrasado. Era o mínimo que poderia acontecer. Seria 10min de atraso, só o tempo de o próximo ônibus vir. Chegaria 13h10, bateria cartão e tudo correria bem. Além do mais, o 600 que vem 12h30 é vazio e com ar condicionado, diferente do lotado e quente 600.2. Estava feliz, tranqüilo. Ainda não havia percebido a ação da maldita Lei. Se soubesse, não teria debochado, não teria enviado uma SMS pra minha namorada com os seguintes dizeres; “Conjutivite, além de perder o bus. Só falta meu PC quebrar”. Como fui ingênuo.
Primeiro, o 600 atrasou uns 7min, e quando ele virou na esquina uns dois quarteirões a minha frente, não era o que eu esperava. Lotadíssimo e sem ar condicionado. A sensação térmica lá dentro devia ser uns 35º, mas, somado ao meu desapontamento, foi pra uns 50º. Fui em pé, no local onde devem ficar os cadeirantes, quase como um poodle, com o rosto pra fora da janela. Tinha arrumado o meu lugar. Mas não por muito tempo.
Dois pontos, fiquei dois pontos tranqüilo. Ao parar, vejo um cadeirante. Não tenho nada contra, sei das dificuldades, das necessidades e da importância de ônibus voltados para estas pessoas. Mas logo naquele dia? Logo naquele ônibus? Ok. Antes da porta abrir, passo a roleta, e, ao passar, vejo pelas janelas do lado esquerdo o ônibus que eu esperava, vazio e com ar condicionado, passando do meu lado. Ali foi descarado. Era a Lei de Murphy, não tinha dúvidas. E ela queria brincar mais comigo ainda.
Passado três pontos, mais um cadeirante queria subir. Quem conhece o processo, sabe da demora que é pra um subir, quanto mais pra dois. Eles se alojaram na parte de trás, e depois de alguns minutos, voltamos a andar. Já estava bem atrasado, metade do meu trajeto, e todo o tempo gasto. Só me restava torcer para ninguém querer descer antes do shopping. Cada vez o ônibus mais lotado, cada vez mais calor, e alguém pede para descer. Era o cadeirante, o primeiro.
Não dava pra passar um por cima do outro, nem empurrar pro ladinho, o único jeito era descer o segundo que entrou, pra descer então o primeiro, pra ai subir novamente o segundo. Sério, foi este o processo, quase 10min parados, ouvindo a maquininha descer e subir, vendo pessoas suadas reclamando em uma sauna pública obrigatória, depois disto, não me lembro de muita coisa mais. Não desmaiei, nem perdi a memória, mas nada, até o final do meu expediente merece ser relatado. Parece que a Lei de Murphy tinha descido do ônibus junto com o cadeirante.
Cheguei atrasado, mas o dia de trabalho foi muito bom, realmente só lembrava dos incidentes do ônibus com humor, e imaginando escrever este post assim que chegasse em casa. A volta pro lar foi tranqüila, o ônibus certo, sentadinho. Chegar em casa foi como de costume, nada anormal. Sento em frente o PC, começo a pensar no texto, até o computador dar o primeiro biziu. Seguiram-se vários probleminhas, até o computador não inicializar mais. Nem no modo de segurança conseguia acessar o Windows. Pronto, a Lei de Murphy desceu do ônibus com o cadeirante para chegar mais cedo na minha casa e fazer a minha SMS tornar-se realidade.
Foi uma noite de raiva, odeio quando o computador trava, e neste caso, iria perder meus textos, minhas imagens, plugins, fotos, músicas, séries, tudo aquilo que eu ainda não tinha em back-up (salvaria no final de semana). Mas tudo bem, baixaria novamente. Precisava do computador para fazer uns trabalhos da faculdade, então tinha que seguir em frente. Começo o processo, e chego no momento de apertar o L. Maldita Lei de Murphy. Tudo deletado, começa a formatação, e, antes de entrar a tela de colocar o número de série do XP, aparece a famosa “tela azul” do Windows. Cortesia da maldita Lei. Fazia anos que eu não via uma tela azul, um erro desses, ainda mais no XP. Vários amigos meus falaram que nunca viram esta tela, só nas Olimpíadas de Pequim e nos Windows anteriores.
Não sei se eles ficarão com inveja, mas eu vi esta maldita tela por seis vezes seguidas. A partir de hoje, eu odeio esta tela. Usei três CDs diferentes, com partição, sem partição, e sempre parava na maldita tela. Murphy não queria me fazer perder tempo, queria era me ferrar. Desolado, fui dormir ciente de não ter mais um computador. Na manhã seguinte que fui pensar nas possibilidades, uma professora disse que era o HD, um outro cara disse que era a memória RAM. Terminou com uma semana sem PC, memória RAM, Driver de DVDs e fonte novas, pois todos estragaram, e um débito de 275 reais. Tudo isto só porque eu fui zombar da Lei de Murphy, só por causa de uma SMS. Poderia ter ficado só no busão e os cadeirantes.